quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Banda Santa Cecília: tocando sem parar desde 1913

Publicação do Jornal Pioneiro, do dia 23 de abril. Blog Memória, do jornalista Rodrigo Lopes.

Mais antigo grupo musical em atividade ininterrupta do Rio Grande do Sul, a Banda Santa Cecília, de Nova Pádua, chega aos 102 anos novamente rompendo fronteiras. Nesta quinta (23), os integrantes rumam à Itália para uma série de cinco apresentações. Elas ocorrem a partir do dia 29 nas cidades de Loreo, Fontaniva, Grantorto, Trichiana e Porto Viro, localizadas nas províncias de Rovigo, Padova e Belluno.


Em 1913: um dos primeiros registros da Banda Santa Cecília na colônia
de Nova Pádua. Foto: Acervo Banda Santa Cecília, divulgação
O roteiro integra o projeto Cent’Anni di Musica (Cem Anos de Música) e busca fortalecer o gemellaggio entre as cidades irmãs de Nova Pádua e Fontaniva, na província de Padova. 

Na miniturnê, os músicos prometem um resgate da história da imigração, por meio de canções que relembram a partida, a viagem e a chegada dos pioneiros colonizadores à região, há exatos 140 anos.


Em 1927: a Banda Santa Cecília com o Padre Dom Julio Scardovelli 
(ao centro). Foto: acervo Banda Santa Cecília, divulgação
O começo 
Toda essa história teve início em 20 de abril de 1913, quando a Banda Santa Cecília foi oficialmente criada. Naqueles tempos, a música era uma das únicas expressões artísticas, sendo obrigatória em eventos culturais, sociais, religiosos e políticos. Logicamente, com todos os percalços e dificuldades da época. 

Seus integrantes costumavam chegar à casa dos colegas no lombo de um cavalo – saíam no sábado e costumavam fazer cerca de 30 quilômetros sobre os animais para se apresentar no domingo.


Músicos da Santa Cecília durante uma procissão religiosa em meados 
dos anos 1960. Foto: acervo Banda Santa Cecília, divulgação
Já os bumbos e clarinetes dividiam espaço com outro utensílio indispensável nos primórdios do século passado: o lampião a querosene, que iluminava as mesas recheadas de comida típica e de partituras – fundamentais para orientar os ensaios após os jantares. 

Colônia, distrito e cidade 
Em 1913, quando a Banda Santa Cecília foi criada, a pequena colônia de Nova Pádua pertencia ao 4 º distrito de Caxias do Sul – passando posteriormente a 2 º distrito de Flores da Cunha e emancipando-se em 1992. 

Trajetória 
* Nova Trento, atual Flores da Cunha, festejou a emancipação em 1924 ao som dos músicos paduenses. 
* No final dos anos 1980, a emissora italiana RAI gravou um documentário sobre Nova Pádua. O Vale do Rio das Antas era o cenário, e as melodias do grupo se tornaram a trilha sonora do programa. 
* A participação no filme O Quatrilho, lançado há exatos 20 anos, em 1995, se firmou como segundo momento de projeção internacional da banda. Músicos paduenses animavam uma festa de casamento em uma sequência da trama.


A Banda Santa Cecília durante a ordenação 
sacerdotal do padre Ireno Lusa, em Nova Pádua. 
Foto: acervo Banda Santa Cecília, divulgação
História furtada 
Matéria publicada pelo Pioneiro em 2003, por ocasião dos 90 anos da banda, destacou alguns episódios pitorescos dessa trajetória. Em 1969, Jorge Baggio, um dos dirigentes da entidade, buscava informações em Caxias para encaminhar o registro da Santa Cecília. 

De automóvel, visitou o município trazendo todos os documentos que guardavam a memória de quase 60 anos do grupo. “Mas, como naquela época não havia insegurança, ele deixou o carro aberto. Quando voltou, não encontrou a pasta. Tinha sido furtada”, lembrou Casemiro Gelain, 80 anos em 2003.


Em 1955: integrantes da Banda Santa Cecília com o padre Antônio Alessi 
defronte à Casa Canônica. Foto: acervo Banda Santa Cecília, divulgação
Atas, relatos escritos e diversos documentos fiscais foram levados. Somente um livro de 1917, em que os integrantes realizavam a contabilidade em italiano, sobreviveu à ação do assaltante. Apesar do furto, a presidência da Santa Cecília oficializou a entidade junto ao Cartório em novembro de 1972. 

O procedimento permitiu o recebimento de verbas governamentais, após a publicação no Diário Oficial do Estado. 

Música no funeral 
Quando sucedeu Dom Benedito Zorzi no bispado, em 1983, o atual bispo emérito Dom Paulo Moretto recebeu do antecessor poucas recomendações. Entre elas, um pedido relacionado à banda com nome da santa padroeira da música.


A banda em ação ao ar livre em meados dos anos 1940. 
Foto: acervo Banda Santa Cecília, divulgação
- Ele disse: “quando eu partir, não esqueça de convidar a Banda Santa Cecília para tocar no meu sepultamento”. E isso foi feito – recordou Moretto. 

Repertório 
Na turnê pela Itália, a partir do dia 29, a banda entoará as músicas tocadas nos tradicionais filós, enaltecendo o trabalho, os costumes e a religião dos pioneiros imigrantes. 

Postado por Rodrigo Lopes

terça-feira, 28 de julho de 2015

Quadro da Banda Santa Cecília de Nova Pádua é entregue ao Vice-Presidente da Associação Polesani Nel Mondo

Depois da acolhida e hospitalidade na Casa dos Polesani Nel Mondo, em Rovigo, Região do Vêneto, Itália, a Banda Santa Cecília enviou um quadro com a foto dos músicos da entidade, com o Prefeito Municipal de Nova Pádua Itamar Bernardi, o Presidente do COMVERS – Comitato Veneto do Rio Grande do Sul Alvírio Tonet e o vice-presidente da Associação Polesani Nel Mondo Marco Di Lello como forma de recordação da entidade.

Foto: Associação Polesani Nel Mondo
Como é de praxe, os grupos que se hospedam na Casa dos Polesani Nel Mondo recebem um espaço na parede para deixar sua foto como forma de celebrar os elos de amizade criados. 

Difícil explicar o carinho e atenção com que a Banda foi recebida durante a participação do Projeto “Cent’Anni di Música” na região do Vêneto, norte da Itália. A organização nas atividades realizadas pela entidade seja na visitação dos lugares, cidades ou nas apresentações.

Foto: Quadro foi entregue na Casa dos Polesani no mês de junho
A Banda agradece o trabalho Sra. Maria Letizia Dalla Benetta, e da Sra. Gabriela Melissa Dani, e especialmente ao Sr. Marco Di Lello, entre outras pessoas que se dedicaram para que os membros da Comitiva se sentissem em casa, como de fato aconteceu. 

O quadro foi entregue pelo Presidente do COMVERS e coordenador do Projeto “Cent’Anni di Música”, ao Vice-Presidente dos Polesani Nel Mondo no mês de junho/2015. 

Por: Maicon Pan

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Banda anima a festa de Nossa Senhora do Carmo

Ontem, dia 12 de julho, a Banda Santa Cecília esteve presente na comunidade do Travessão Rondelli em Flores da Cunha onde animou a festa em honra a Nossa Senhora do Carmo.

Banda Santa Cecília na festa em honra a Nossa Senhora do Carmo
Pela parte da manhã, foi celebrada a missa festiva. A mesma foi animada pelo Coral da Família Pecatti. Ao meio dia, a Banda animou o almoço festivo servido no salão daquela comunidade. 

Durante a tarde, a Banda Santa Cecília continuou animando a festa com seu repertório de músicas italianas e gaúchas. 

A igreja celebra Nossa Senhora do Carmo no dia 16 de julho. Em Nova Pádua, a comunidade do Travessão Bonito celebra a festa de sua padroeira no próximo domingo, dia 19 de julho.

Conheça a história de Nossa Senhora do Carmo:


Por: Maicon Pan

terça-feira, 7 de julho de 2015

Banda Santa Cecília e as recordações da Itália

Passados dois meses do retorno da Itália, onde a Banda Santa Cecília se apresentou através do Projeto “Cent’Anni di Música”, a saudade parece aumentar a cada dia que passa. 

Nas apresentações em Loreo-RV, Fontaniva-PD, Grantorto-PD, Belluno-BO e Porto Viro-RV, a Banda Santa Cecília fez um resgate da história da imigração com canções que relembraram a partida, trajetória e chegada dos imigrantes italianos. 

A comitiva encantou-se com a visita aos monumentos de Roma, ao Vaticano e a Basílica São Pedro. Em Assisi visitou o Santuário de São Francisco de Assis. Em Pádova, emoção ao conhecer a Basílica de Santo Antônio, padroeiro de Nova Pádua. Antes de voltar, os integrantes da comitiva fizeram um passeio por Veneza. 


Na região do Vêneto, norte da Itália, a Banda sentiu-se como se estivesse em casa. A comoção foi visível de ambas as partes, plateia e banda, que verdadeiramente interagiram como em um reencontro entre pessoas que fizeram parte de uma mesma história. 

Depois de uma das apresentações, o Presidente da Banda Gilmar Marin afirmou que a viagem foi uma recompensa pelo trabalho realizado, não só pelos atuais membros, mas todos aqueles que contribuíram com empenho e amor para que a entidade chegasse aonde chegou. 

A saudade é a certeza que a viagem valeu a pena. Nada é capaz de representar o que os músicos da Banda Santa Cecília e demais integrantes da comitiva vivenciaram na Itália. As fotos do vídeo acima mostram os lugares onde a comitiva esteve e tenta transmitir um pouco da experiência do reencontro com o país de onde vieram nossos antepassados e onde iniciou a nossa própria história. 

Por: Maicon Pan